Will. Rock Progressivo. Óculos. Capricórnio. Violão. ENGHAW. Química. Pink Floyd. Minha vida é tão confusa quanto a América Central, por isso não me acuse de ser irracional. Aproveite esta merda.
+ Matemática burra.
  • Pela contagem convencional somos 7 bilhões, sem contar alguns quebrados.
  • Pela matemática absurda sou só mais um, juntos ou só, apenas número.
  • Aliás estamos sós, a sós nós dois, mas sempre o um mais um, em
  • uma vida inteira atrás do muro, sem saber como se faz para contar e sem saber com quem contar.
  • E se tivermos de enumerar os tijolos para então vermos o que está por detrás do muro, podemos desistir da contagem e olharmos, você a mim e eu a ti, antes que seja tarde então.
  • Mesmo fardados a ignorância, que contemos um com o outro, e juntos lamentaremos o que nunca teremos de bom.
  • Para Julia
+
Quando a chuva fala por si só

Então eu molhei o calçado na chuva

Em dobro molhou o seu travesseiro

Poderia medir o quanto choveu

Teríamos água por anos inteiros

 

Nada adiantaria se embora ela fosse

Embora faltasse aquela canção

Em meio a tudo que lhe prometi

Estaria só nós, minha redenção

 

Me ajude a juntar os pedaços no chão

Leva  anos montar novamente um coração

 

Você me espera

Enquanto os carros não andam

De braços cruzados

Enquanto os ventos não sopram

Eu nada lhe dei

Além de um beijo

Aonde estamos

Só nós saberemos

Nossas vidas se encontram

Já faz algum tempo

E é difícil abafar o caos do momento

 

Nada adiantaria se embora ela fosse

Embora faltasse aquela canção

Em meio a tudo que lhe prometi

Estaria só nós, minha redenção

 

Me ajude a juntar os pedaços no chão

Leva  anos montar novamente um coração 

+

Lazarus - Steven Wilson & Jordan Rudess

+ O Balé (não)Clássico entre as estrelas da Constelação de Capricórnio

O velho anual de expressão amargurada, de intima junção entre  as infinitas rugas por detrás dos óculos de lentes garrafais está fazendo seu caminho novamente. Vestindo sua boina desbotada à cabeça, seus sapatos desengraxados e gastos nos pés, suas habituais calças largas de dormir e trazendo consigo os costumeiros amontoados de balões acinzentados suspensos que cobrem a extensão do céu, e que fazem lado ao devastador frio de época, o respeitável senhor de idade está passando pelas redondezas do vilarejo, carregando junto a ele o vento impiedoso de Inverno que acaba de assaltar as instalações onde se encontra a estadia d’A Trupe de Margaridas em Ruínas & Concreto. Esta trupe, nada mais é do que um amontoado de artistas com habilidades notáveis, e que um dia talvez, tenham feito algum sucesso às vistas dos que prezavam apreciar os maiores espetáculos deste Universo.

         Tal organização era composta por mágicos, equilibristas, bailarinas, contorcionistas, palhaços e “adestradores de animais”, etc, e por motivos de desentendimento entre parte dos integrantes, entraram em declínio num determinado período de carreira, tornando-se então, com exceção dos adestradores de animais e alguns mágicos, um bolo de pessoas desiludidas da vida e sem um grande propósito de prosperidade, mas que hoje, mais do que nunca, ostentam uma carreira de ascensão aos seus filhos, que vivem uma realidade largada a própria sorte. Em contrapartida, os adestradores e alguns mágicos abandonaram aquele lugar e situação, atuando agora em maior escala, fazendo grande sucesso como adestradores de massas e fazendo truques de “sumir coisas”, coisas que ninguém jamais saberá qual foi o destino.

         Nas instalações de habitação de todo aquele grupo, além das atividades comuns, haviam espaços utilizados para a educação da geração de filhos dos ex-integrantes do falecido circo, onde os palhaços, que por incrível que pareça, lecionavam aos mais novos, disciplinas de conhecimentos gerais, para que futuramente, a nova geração se sobreponha àquela realidade medíocre, reconstruindo uma “Trupe” que não cometa os mesmos erros de seus pais. Ousadamente chama-se esses espaços de escolas. Dentre os ensinamentos dos palhaços, estavam o fato de como os alunos deveriam se tornar indivíduos diferentes aos adestradores e mágicos, construindo um caráter digno, sendo importante lembrar o fato de que nunca deve-se cair na lábia dessa mesma raça.

         Indo-se ainda mais afundo nas descrições, entre os alunos e alunas mais aplicados daquela escola, estava uma garota filha de contorcionista e um “cuspidor de fogo”, a qual possuía grande admiração pelos palhaços, seus professores. A garota cortava seus próprios cabelos, de forma que destacava a maneira como, intencionalmente, se mostrava diferente das outras garotas da instalação, tanto na forma de se portar, quanto de pensar. Seus cabelos eram curtos e negros, moldavam seu rosto de expressão bela, porém intimidadora. À primeira vista, poder-se-ia dizer que tal garota não se dava ao luxo de perdoar qualquer que fosse o deslize perante sua figura, carregado uma feição de durona e autoritária. A verdade em si, não era só impressão. Desde cedo, enquanto os pais e os próprios palhaços auxiliavam na escolha de uma forma de arte a qual os alunos mais se identificassem e a qual possuíssem aptidão, a garota de cabelos curtos e expressão intimidadora cismava em algo que todos, há muito tempo já haviam a desencorajado, a ser uma bailarina. Sua mãe já dizia que tal encargo necessitava de delicadeza, uma feição beirando a meiguice, um corpo “perfeito aos olhos da platéia”, e não foi diferente a opinião de seu pai, seus colegas e dos palhaços, seus professores. Não obstante aos conselhos negativos, a garota juntou alguns tecidos aos quais deixara guardados por algum tempo, e então, em pró de seu grande desejo começou a costurar, nada sabia, mas assim o fez.

A bailarina desencorajada usava botas rústicas até meia canela, quando fora às aulas nos dias que se seguiam, e para a incompreensão dos demais, a Bailarina de Coturno passara a usar cotidianamente seu novo vestido, feito à mão por ela própria - “totalmente desproporcional”, “sem noção do ridículo”, nem os mais íntimos a pouparam dos maus comentários -  mas como era de se esperar, a garota mostrava não se importar, nem um pouco com toda aquela baboseira. Todavia, a Bailarina de Coturno não transparecia a forma como todos aqueles comentários a derrubavam por dentro, seu ego não deixaria a mostra esses “simples detalhes”. Contudo, a  garota sabia que nunca chegaria a dançar em palcos grandes, para muitas pessoas, e com o passar do tempo, abandonou a ideia de tomar para si o oficio de bailarina, seu corpo jamais se “compararia” com os de garotas profissionais, e nunca teria maneira e a sutileza de uma bailarina.

Acontece que, a garota poderia não ter o corpo escultural de uma verdadeira bailarina, mas sua beleza estava longe de manter-se às escondidas, e em algum momento teria de ser percebida por alguém que iria lhe querer para a vida inteira. Havia muitos garotos na instalação, alguns com habilidades incrivelmente notáveis, outros sem dom algum, porém, a bailarina se apaixonara por um míope mirrado, de nariz saliente e com alguma habilidade para música, era “equilibrista”, mas o qual nem a si próprio conseguia equilibrar. O equilibrista de dias de Dezembro, também se apaixonara, os dois trocaram afetos entre si, e sabiam que queriam ficar juntos. Problemas sempre existiram e sempre existirão, e apesar do tempo e de tudo, juntos resolveram traçar seus objetivos. Tanto ela, quanto ele já não ligavam para a falta de habilidade, dança e equilibrismo, seu maior objetivo era ficarem juntos. Ficaram.

Os anos se passaram, a vida de todos seguia normalmente na instalação da Trupe das Margaridas em Ruínas & Concreto, mesma realidade de sempre, as línguas na instalação mencionavam há quase todo instante “nunca existirá saída para toda esta gente”, “nunca se fará novamente o sucesso que este Circo já havia conquistado”,”tudo está acabado” e etc. Tudo verdade, não deixariam tal situação, acostumariam-se uma hora ou outra, o desgosto em partes está presente, outras não, as pessoas tornariam disso um hábito. Mais além, o A Trupe não teria o mesmo nome, passaria a chamar-se sociedade, problemas viajariam à sombra do esquecimento a todo instante. Pessoas nasceriam, se desenvolveriam, se juntariam, formariam famílias e morreriam.

A garota nunca dançara para grandes números, da mesma forma nunca praticara balé clássico. Contudo, por toda a eternidade, a Bailarina de Coturno irá dançar entre as estrelas de Capricórnio.

                                                                             Willian Roberto de Moura

 

n-i-t-r-o-g-e-n:

Triple Goddess
+
+

http://capricorn-goat.tumblr.com/ novo background, título e tema.

+

Até o Fim - Egenheiros do Hawaii (Cover)

Vocal, gaita e violão Base: Willian Roberto

Violão solo: Mateus Leal

NEXT »
THEME ©